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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

FEIRA SOCIO CULTURAL MARIA SAMPAIO


A União Popular de Mulheres de Campo Limpo e Adjacência (UPM) é uma organização social sem fins lucrativos, vínculos partidários, empresariais ou religiosos, inscrita no CNPJ n 57.395.741/0001-3. Fundada em 8 de março de 1987 temos como missão à luta pela completa emancipação da mulher e pela igualdade nas relações sociais e ainda, mobilizar, unir e fomentar a organização popular para a luta e conseqüente conquista a plenitude de seus direitos sociais, econômicos, políticos, ambientais, culturais.
Através da CASA DA MULHER E DA CRIANÇA a UPM atua a 8 anos no Jd. Maria Sampaio desenvolve ações de caráter sócio-educativa, informativa e de formação com crianças, jovens, mulheres, idosos e famílias através de serviços como: Atendimento a Vitimas de Violência, Alfabetização de Jovens e Adultos, Núcleo de Convivência de Idosos, Inclusão Digital, Banco Comunitário União Sampaio e Agencia Popular de Fomento a Cultura. Atendendo assim cerca de 300 pessoas por dia. Outra atividade importante é o fomento a participação popular nas lutas por melhorias em nossa comunidade através do Fórum de Desenvolvimento Comunitário que ocorre toda primeira terça-feira de cada mês as 19h.
Também organizamos todo ano a Feira SocioCultural Maria Sampaio que tem como objetivo proporcionar a integração comunitária, aproximar o poder público da comunidade, fortalecer as lutas populares, promover o desenvolvimento local e estruturar uma rede a partir de ações socioculturais, e ainda fortalecer e valorizar o papel da mulher na luta e na conquista por direitos. Esta é uma ação desenvolvida em forma de mutirão onde contando com a parceria de Associações, Ongs, Instituições Religiosas, Imprensa, Indústria, Serviços, Comércio e Administração Pública. Nos seus três anos a Feira realizou mais de cinco mil atendimentos na Saúde (Dentista, Papanicolau, Fonoaudiólogo, Pediatra com calculo IMC, Verificação de PA e Dextro, Massagista, Orientação Sexual), Cidadania (orientação jurídica, Corte de Cabelo, Manicure, Palestras de Ervas Medicinais, Oficinas de Sabão, Construção de Brinquedos), Economia (Feira de Artesanato, oficinas de economia solidaria), Cultura (teatro, cinema, graffit, radio e shows).
O ano de 2012 foi muito especial para a UPM, pois comemoramos nosso aniversario de 25 anos e por isso queremos fazer uma grande festa popular, ampliando os atendimentos e o numero de participantes, tornando esse dia especial para muitas pessoas e comunidades Todos os anos trabalhamos uma temática e este ano serão as vitimas de violência nas chacinas, onde homenagearemos as mães destas vitimas.
Diante do exposto nos da União Popular de Mulheres de Campo Limpo e Adjacência, vem a vossa presença convidá-lo a ser parceiro desta grande ação social
Sendo assim gostaríamos de convidar você a ser parceiro desta grande ação social. Sua contribuição com a V Feira SócioCultural fomentará o debate aos problemas da comunidade e o acesso da à manifestações culturais, atendimentos médicos, feira de artesanato, oficinas culturais além do fortalecimento da cidadania em nossa comunidade.
V Feira SócioCultural – 9 de março de 2013 das 8h as 22h
Desde já agradecemos 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

GUERRILHA URABNA


Guerra entre narcotráfico e polícia militar em São Paulo? 
Perguntas sem resposta, lágrimas sem resposta, sangramos sem resposta.

Há meses o estado de São Paulo vive aquilo que a mídia insiste em chamar de onda de assassinatos. Nas favelas, nos bairros de periferia, a sensação é de que um Tsunami tem atropelado nossas vidas. Entre a onda e a marola, os afogados são sempre os mesmos: pretos, pobres, trabalhadores, jovens filhos deste mundo injusto que ceifa suas vidas ainda antes que estas possam desabrochar.

As matérias nos jornais alertam para uma guerra; a guerra entre forças de repressão do estado contra  … o crime organizado?
Engraçado que não há programas de contenção da violência do crime organizado que apontem para as grandes entradas de drogas no país pelas fronteiras internacionais, que apontem para o fato de que naquilo que se refere à lavagem de dinheiro, a ONU estimou que são processados $120-500 bilhões por ano através do sistema bancário mundial (Solomon,1994), que apontem para o fato de que temos um déficit de professores nas escolas públicas do Brasil que é proporcional às vagas criadas em presídios para prender os mesmos pobres que não podem estudar ou que tem uma educação precária.

Não, os programas pensados pelo Estado - divulgados pela sua representante oficial em nossas casas, a mídia burguesa – são planos de uma guerra anunciada.
Anunciada por quem ? Quem tem sido assassinado? De que formas? Onde? Porquê?
Não temos respostas mas, ao seguir o caminho destas perguntas, surgem ainda outras interrogações. Vamos a elas.

Na noite de sexta feira, dia 13/11/2012 foi morto a tiros, na cidade de Guarulhos, um PM que fazia parte da corregedoria da polícia militar do estado.  A corregedoria é o órgão da polícia que fiscaliza os desvios de conduta dos policiais que compõem a coorporação.
Porquê o crime organizado assassinaria um policial que trabalha na corregedoria?

Na noite do dia 23 de agosto de 2012, foi assassinado, em Caraguatatuba, o advogado Diego Luiz Berbare Bandeira . Ele avisou, em 19 de junho, durante uma reunião na Assembleia Legislativa na capital, que recebia ameaças de pessoas que se sentiam incomodadas com a sua atuação na Comissão de Direitos Humanos da subseção de seu município na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Os alvos do defensor eram policiais civis e militares, diretores de presídio e autoridades em geral.
Porquê o crime organizado assassinaria um advogado, atuante na área de direitos humanos que tinha sua atividade focada em denunciar policiais?
Ele foi assassinado por pessoas em uma moto.

A revista Caros Amigos publicou, em 21 de setembro de 2012, uma matéria em que denunciava a situação dentro dos batalhões da Polícia Militar de São Paulo. Entrevistando um policial civil, que por motivos de segurança pediu sigilo de sua identidade, a matéria revelava que os policias que não se submentem aos esquemas de corrupção e a participar dos grupos de extermínio são extraoficialmente punidos e ameaçados por seus próprios colegas de profissão.
Quem seria o crime organizado?
Na matéria, revela-se que parte dos extermínios são realizados por policiais à paisana em carros de cores escuras ou em motos.

O jornalista do jornal Folha de São Paulo, André Caramante, que há 13 anos cobria a área de segurança pública do jornal, passou a ser ameçado de morte. As ameaças se intensificaram no último período – que coincide com o marco temporal da tal guerra contra o crime organizado – e são realizadas por policiais de todos os setores da coorporação. Caramante já denunciou sete grupos de extermínio formados por policiais militares e civis, assim como por ex-policiais.
Quem é o crime organizado?
No dia 21 de novembro de 2012, o jornal Folha de São Paulo publicou uma matéria, no caderno cotidiano, que realizou uma espécie de “balanço perverso” dos números: Segundo o jornal, “No acumulado entre janeiro e outubro deste ano, foram registrados 1.068 casos de homicídios na capital, com 1.157 mortes”, mas o governador do Estado de São Paulo aprova: “Quem não resistiu, está vivo”.

O jornal também contabilizou os números gerais do Estado de São Paulo como um todo: Foram 3.834 casos, com 4.107 mortes, neste ano.” Mas o governador do Estado de São Paulo aprova: “Quem não resistiu, está vivo”.

Muda-se o Secretário de Segurança Pública ou, como no filme “O Gato Pardo” nos ensina Tancredo, personagem do romance, a perversa tática: mudar tudo para que nada mude.

Dois jovens assassinados no Campo Limpo, zona sul de São Paulo. As imagens vão às televisões. Detido, já imobilizado, um dos jovens é exterminado. Mas o governador do Estado de São Paulo aprova: “Quem não resistiu, está vivo”.

Jovens são mortos a tiros em um bar no Jardim São Luis, zona sul de São Paulo, entre eles uma moça, promotora de eventos que conversava com os amigos na volta do trabalho. Mas o governador do Estado de São Paulo aprova: “Quem não resistiu, está vivo”.

Dois jovens foram exterminados pela polícia em Guarulhos, segundo o pai de um deles – que tinha 17 anos – os jovens haviam acabado de sair de casa para ir a um forró. Na esquina, foram mortos a tiros pela polícia militar. Mas o governador do Estado de São Paulo aprova: “Quem não resistiu, está vivo”.

Nove suspeitos foram mortos em operação policial realizada pela ROTA em Várzea Paulista. Mas o governador do Estado de São Paulo aprova: “Quem não resistiu, está vivo”.

Dois jovens voltavam da escola, de moto, na noite de 30 de novembro de 2011, quando foram assassinados pela polícia, em São Bernardo do Campo. Mas o governador do Estado de São Paulo aprova: “Quem não resistiu, está vivo”.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, desde janeiro de 2012, foram mortos 95 policiais militares no Estado de São Paulo. Quem matou? O crime organizado? Quem é o crime organizado?
O número representa menos que 10% dos civis que foram mortos na capital. Mas o governador do Estado de São Paulo aprova: “Quem não resistiu, está vivo”.

No Brasil, não existe pena de morte.
No Brasil, todo cidadão tem direito a julgamento e defesa.
No Estado de São Paulo, a polícia militar aborda, detém, acusa, julga e sentencia com a morte.
Mas o governador do Estado de São Paulo aprova: “Quem não resistiu, está vivo”.

Olhando desta forma, levando em conta as relações possíveis entre os casos, entre os números, as relações entre denúncias, a relaçãos dos fatos com o modus operandi da Polícia Militar, é preciso perguntar:
Há uma guerra? Entre crime organizado e polícia militar? Entre o estado e os pobres? Um dos lados da tal “guerra” apresenta quase 4.000 baixas. O outro lado, apresenta, no mesmo período, 95 baixas.
Uma guerra pressupõe dois lados. Quando apenas um lado perde, o nome é outro: genocídio, extermínio em massa, holocausto.

Policiais que não se submetem a participar dos generalizados grupos de extermínio, que não aceitam subir em motos, vestindo toucas Ninja para matar, que não participam de esquemas de corrupção, que denunciam as arbitrariedades de seus colegas de profissão são retaliados, punidos, ameaçados... porque não mortos? Por quem? Pelo crime organizado? Quem é o crime organizado?

Advogados, defensores dos direitos humanos e que denunciam violências policiais são mortos. Por quem? Pelo crime organizado? Quem é o crime organizado?

Sabemos que existe, no Brasil, uma forte atividade do tráfico de drogas, dos narcotraficantes e de facções criminosas. Não compactuamos com elas. Mas seria esta atividade ilícita possível sem a omissão (e porque não dizer participação?) do Estado burguês? Seria possível sem a participação de esquemas internacionais de lavagem de dinheiro que envolvem todo o esquema financeiro, bancário, político, nacional e internacional?

Sabemos que, na história do mundo, já foram construídas – pelos poderosos e opressores – inúmeras situações que apresentassem à sociedade apática um quadro de guerra que legitimasse a violência de estado na repressão e criminalização da pobreza, dos pobres, das lutas, dos lutadores.

Permanecem as perguntas difíceis.
Seguem as mortes inadmissíveis.
Correm ainda nos rostos – todos pobres – as lágrimas amargas e oprimidas, ameaçadas.
Ainda sangramos nos perguntando: Que guerra? Entre quem? Quem é o crime organizado? Organizado por quem? Para beneficiar quem?


CSP-Conlutas

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Poetas Ambulantes no Prá,çarau

O Prá,çarau recebeu no dia de seu aniversário, a visita mais do que especial, dos Poetas Ambulantes. Grupo por formado por jovens poetas, que atuam principalmente dentro dos transportes públicos da capital. Neste dia, eles estavam vindo de mais uma de suas apresentações dentro do metrô, saindo da estação Tucuruvi, até desembarcarem pelo lado esquerdo do trem, na estação Capão Redondo.
Subiram o morro e tomaram a Praça Danilo Honório e fizeram uma bela intervenção. tendo em mãos um megafone, chamaram pra si a responsabilidade e neste momento o Prá,çarau estava dominado. Com os integrantes afiados e muito bem organizados, um a um, declamaram suas poesias. O mais impressionante é que todos os integrantes do  grupo, tem uma poesia, própria ou emprestada, e ninguém sai sem falar alguma delas. 
Eram mais de doze nesta ocasião e eles ainda iriam participar do Saraokê na Casa das Rosas na Avenida Paulista, ou seja, apesar de já virem de uma jornada no metrô, ainda iriam para mais uma missão e bem longe de onde estavam. Fizeram o caminho, "da Unasp ao Masp"!

Poetas Ambulantes, do transporte público direto para a praça pública, e o público agradece!!!



Poetas







Ambulantes!




Grupo eclético e muito bem distribuído, entre poetas, atores, atrizes, músicos nos presentearam com uma bela performance e a comunidade aprovou e gostou da presença dos Poetas Ambulantes. Esperamos por vocês mais vezes, em nosso sarau.



Folia Sem Fronteiras - SESC Santo Amaro


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Aniversário Prá,çarau dois anos.

Cartaz de Feliz Aniversário, Ateliê Popularte.
O Prá,çarau completou no último dia 25 de janeiro, dois anos de resistência e luta!
Numa sexta-feira, o dia foi propicio para se realizar um encontro com amigos, parceiros e surpresas.
Loja Éd'Marca.
Começamos por volta das quinze horas como previsto, com a galera da Agência Solano Trindade, fortalecendo nossa história. O Ateliê Popularte já chegou armando a mesa, onde foi apresentada uma oficina para a confecção de mandalas, a Loja Colaborativa ÉD'Marca, que comercializa produtos dos coletivos afiliados á agência, trouxe á praça, CDs, camisetas, livros e um pouco de cada produto.
Oficina de mandalas.
A oficina de mandalas logo de cara, conquistou as pessoas presentes, pois muitas delas não faziam ideia de como começar fazer uma mandala. E ali, ao ar livre e rodeado de pessoas que exalam arte, ficou muito mais prazeroso começar uma nova forma de arte e lazer. A mesa foi disputada por crianças e principalmente pessoas da melhor idade. Que se confundiam com as crianças, tamanha alegria!
Todo material foi disponibilizado pelo Ateliê Popularte e Aline Maria coordenou a oficina.


O Prá,çarau é muito característico, por ser um sarau musical em sua essência, e para não perder esta identidade começou com Wesley Nóog, soltando a sua potente e marcante voz, entoando as mais belas canções da soul music brasileira. Em seguida, entra em cena, o grande Guitar Hero, Celso Bossa, com seu trabalho refinado, com o mais fino da bossa, clássica e releituras maravilhosas de grandes nomes da música.
Apresentações impecáveis e dignas de abertura de altíssimo garbo e elegância, daquela que seria uma tarde inesquecível e que envolveu muitas pessoas.

E esta foi apenas o começo!

Tem muito mais!!!!!

Muito obrigado!

Celso Bossa e Wesley Nóog.
Celso Bossa, o Guitar Hero.


https://fredbar.opendrive.com/files?MF81OTc2MDMxX1g3Wk4x













Arte, Revolução...


Por uma Arte Revolucionaria Independente

André Breton e Leon Trotsky
1) Pode-se pretender sem exagero que nunca a civilização humana esteve ameaçada por tantos perigos quanto hoje. Os vândalos, com o auxílio de seus meios bárbaros, isto é, deveras precários, destruíram a civilização antiga num canto limitado da Europa. Atualmente, é toda a civilização mundial, na unidade de seu destino histórico, que vacila sob a ameaça das forças reacionárias armadas com toda a técnica moderna. Não temos somente em vista a guerra que se aproxima. Mesmo agora, em tempo de paz, a situação da ciência e da arte se tornou absolutamente intolerável.
2) Naquilo que ela conserva de individualidade em sua gênese, naquilo que aciona qualidades subjetivas para extrair um certo fato que leva a um enriquecimento objetivo, uma descoberta filosófica, sociológica, científica ou artística aparece como o fruto de um acaso precioso, quer dizer, como uma manifestação mais ou menos espontânea da necessidade. Não se poderia desprezar uma tal contribuição, tanto do ponto de vista do conhecimento geral (que tende a que a interpretação do mundo continue), quanto do ponto de vista revolucionário (que, para chegar à transformação do mundo, exige que tenhamos uma idéia exata das leis que regem seu movimento). Mais particularmente, não seria possível desinteressar-se das condições mentais nas quais essa contribuição continua a produzir-se e, para isso, zelar para que seja garantido o respeito às leis específicas a que está sujeita a criação intelectual.
3) Ora, o mundo atual nos obriga a constatar a violação cada vez mais geral dessas leis, violação à qual corresponde necessariamente um aviltamento cada vez mais patente, não somente da obra de arte, mas também da personalidade “artística”. O fascismo hitlerista, depois de ter eliminado da Alemanha todos os artistas que expressaram em alguma medida o amor pela liberdade, fosse ela apenas formal, obrigou aqueles que ainda podiam consentir em manejar uma pena ou um pincel a se tornarem os lacaios do regime e a celebrá-lo de encomenda, nos limites exteriores do pior convencionalismo. Exceto quanto à propaganda, a mesma coisa aconteceu na URSS durante o período de furiosa reação que agora atingiu seu apogeu.
4) É evidente que não nos solidarizamos por um instante sequer, seja qual for seu sucesso atual, com a palavra de ordem: “Nem fascismo nem comunismo”, que corresponde à natureza do filisteu conservador e atemorizado, que se aferra aos vestígios do passado “democrático”. A arte verdadeira, a que não se contenta com variações sobre modelos prontos, mas se esforça por dar uma expressão às necessidades interiores do homem e da humanidade de hoje, tem que ser revolucionária, tem que aspirar a uma reconstrução completa e radical da sociedade, mesmo que fosse apenas para libertar a. criação intelectual das cadeias que a bloqueiam e permitir a toda a humanidade elevar-se a alturas que só os gênios isolados atingiram no passado. Ao mesmo tempo, reconhecemos que só a revolução social pode abrir a via para uma nova cultura. Se, no entanto, rejeitamos qualquer solidariedade com a casta atualmente dirigente na URSS, é precisamente porque no nosso entender ela não representa o comunismo, mas é o seu inimigo mais pérfido e mais perigoso.
5) Sob a influência do regime totalitário da URSS e por intermédio dos organismos ditos “culturais” que ela controla nos outros países, baixou no mundo todo um profundo crepúsculo hostil à emergência de qualquer espécie de valor espiritual. Crepúsculo de abjeção e de sangue no qual, disfarçados de intelectuais e de artistas, chafurdam homens que fizeram do servilismo um trampolim, da apostasia um jogo perverso, do falso testemunho venal um hábito e da apologia do crime um prazer. A arte oficial da época estalinista reflete com uma crueldade sem exemplo na história os esforços irrisórios desses homens para enganar e mascarar seu verdadeiro papel mercenário.
6) A surda reprovação suscitada no mundo artístico por essa negação desavergonhada dos princípios aos quais a arte sempre obedeceu, e que até Estados instituídos sobre a escravidão não tiveram a audácia de contestar tão totalmente, deve dar lugar a uma condenação implacável. A oposiçãoartística é hoje uma das forças que podem com eficácia contribuir para o descrédito e ruína dos regimes que destroem, ao mesmo tempo, o direito da classe explorada de aspirar a um mundo melhor e todo sentimento da grandeza e mesmo da dignidade humana.
7) A revolução comunista não teme a arte. Ela sabe que ao cabo das pesquisas que se podem fazer sobre a formação da vocação artística na sociedade capitalista que desmorona, a determinação dessa vocação não pode ocorrer senão como o resultado de uma colisão entre o homem e um certo número de formas sociais que lhe são adversas. Essa única conjuntura, a não ser pelo grau de consciência que resta adquirir, converte o artista em seu aliado potencial. O mecanismo de sublimação, que intervém em tal caso, e que a psicanálise pôs em evidência, tem por objeto restabelecer o equilíbrio rompido entre o “ego” coerente e os elementos recalcados. Esse restabelecimento se opera em proveito do ”ideal do ego” que ergue contra a realidade presente, insuportável, os poderes do mundo interior, do “id”, comuns a todos os homens e constantemente em via de desenvolvimento no futuro. A necessidade de emancipação do espírito só tem que seguir seu curso natural para ser levada a fundir-se e a revigorar-se nessa necessidade primordial: a necessidade de emancipação do homem.
8) Segue-se que a arte não pode consentir sem degradação em curvar-se a qualquer diretiva estrangeira e a vir docilmente preencher as funções que alguns julgam poder atribuir-lhe, para fins pragmáticos, extremamente estreitos. Melhor será confiar no dom de prefiguração que é o apanágio de todo artista autêntico, que implica um começo de resolução (virtual) das contradições mais graves de sua época e orienta o pensamento de seus contemporâneos para a urgência do estabelecimento de uma nova ordem.
9) A idéia que o jovem Marx tinha do papel do escritor exige, em nossos dias, uma retomada vigorosa. É claro que essa idéia deve abranger também, no plano artístico e científico, as diversas categorias de produtores e pesquisadores. "O escritor, diz ele, deve naturalmente ganhar dinheiro para poder viver e escrever, mas não deve em nenhum caso viver e escrever para ganhar dinheiro... O escritor não considera de forma alguma seus trabalhos como um meio. Eles são objetivos em si, são tão pouco um meio para si mesmo e para os outros que sacrifica, se necessário, sua própria existência à existência de seus trabalhos... A primeira condição da liberdade de imprensa consiste em não ser um ofício. Mais que nunca é oportuno agora brandir essa declaração contra aqueles que pretendem sujeitar a atividade intelectual a fins exteriores a si mesma e, desprezando todas as determinações históricas que lhe são próprias, dirigir, em função de pretensas razões de Estado, os temas da arte. A livre escolha desses temas e a não-restrição absoluta no que se refere ao campo de sua exploração constituem para o artista um bem que ele tem o direito de reivindicar como inalienável. Em matéria de criação artística, importa essencialmente que a imaginação escape a qualquer coação, não se deixe sob nenhum pretexto impor qualquer figurino. Àqueles que nos pressionarem, hoje ou amanhã, para consentir que a arte seja submetida a uma disciplina que consideramos radicalmente incompatível com seus meios, opomos uma recusa inapelável e nossa vontade deliberada de nos apegarmos à fórmula:toda licença em arte.
10) Reconhecemos, é claro, ao Estado revolucionário o direito de defender-se contra a reação burguesa agressiva, mesmo quando se cobre com a bandeira da ciência ou da arte. Mas entre essas medidas impostas e temporárias de autodefesa revolucionária e a pretensão de exercer um comando sobre a criação intelectual da sociedade, há um abismo. Se, para o desenvolvimento das forças produtivas materiais, cabe à revolução erigir um regime socialista de plano centralizado, para a criação intelectual ela deve, já desde o começo, estabelecer e assegurar um regime anarquista de liberdade individual. Nenhuma autoridade, nenhuma coação, nem o menor traço de comando! As diversas associações de cientistas e os grupos coletivos de artistas que trabalharão para resolver tarefas nunca antes tão grandiosas unicamente podem surgir e desenvolver um trabalho fecundo na base de uma livre amizade criadora, sem a menor coação externa.
11) Do que ficou dito decorre claramente que ao defender a liberdade de criação, não pretendemos absolutamente justificar o indiferentismo político e longe está de nosso pensamento querer ressuscitar uma arte dita “pura” que de ordinário serve aos objetivos mais do que impuros da reação. Não, nós temos um conceito muito elevado da função da arte para negar sua influência sobre o destino da sociedade. Consideramos que a tarefa suprema da arte em nossa época é participar consciente e ativamente da preparação da revolução. No entanto, o artista só pode servir à luta emancipadora quando está compenetrado subjetivamente de seu conteúdo social e individual, quando faz passar por seus nervos o sentido e o drama dessa luta e quando procura livremente dar uma encarnação artística a seu mundo interior.

12) Na época atual, caracterizada pela agonia do capitalismo, tanto democrático quanto fascista, o artista, sem ter sequer necessidade de dar a sua dissidência social uma forma manifesta, vê-se ameaçado da privação do direito de viver e de continuar sua obra pelo bloqueio de todos os seus meios de difusão. É natural que se volte então para as organizações estalinistas que lhe oferecem a possibilidade de escapar a seu isolamento. Mas sua renúncia a tudo que pode constituir sua mensagem própria e as complacência degradantes que essas organizações exigem dele em troca de certas possibilidades materiais lhe proíbem manter-se nelas, por menos que a desmoralização seja impotente para vencer seu caráter. É necessário, desde este instante, que ele compreenda que seu lugar está além, não entre aqueles que traem a causa da revolução e ao mesmo tempo, necessariamente, a causa do homem, mas entre aqueles que dão provas de sua fidelidade inabalável aos princípios dessa revolução, entre aqueles que, por isso, permanecem como os únicos qualificados para ajudá-Ia a realizar-se e para assegurar por ela a livre expressão ulterior de todas as manifestações do gênio humano.
13) O objetivo do presente apelo é encontrar um terreno para reunir todos os defensores revolucionários da arte, para servir a revolução pelos métodos da arte e defender a própria liberdade da arte contra os usurpadores da revolução. Estamos profundamente convencidos de que o encontro nesse terreno é possível para os representantes de tendências estéticas, filosóficas e políticas razoavelmente divergentes. Os marxistas podem caminhar aqui de mãos dadas com os anarquistas, com a condição que uns e outros rompam implacavelmente com o espírito policial reacionário, quer seja representado por Josef Stálin ou por seu vassalo Garcia Oliver.
14) Milhares e milhares de pensadores e de artistas isolados, cuja voz é coberta pelo tumulto odioso dos falsificadores arregimentados, estão atualmente dispersos no mundo. Numerosas pequenas revistas locais tentam agrupar a sua volta forças jovens, que procuram vias novas e não subvenções. Toda tendência progressiva na arte é difamada pelo fascismo como uma degenerescência. Toda criação livre é declarada fascista pelos estalinistas. A arte revolucionária independente deve unir-se para a luta contra as perseguições reacionárias e proclamar bem alto seu direito à existência. Uma tal união é o objetivo da Federação Internacional da Arte Revolucionária Independente (FIARI) que julgamos necessário criar.
15) Não temos absolutamente a intenção de impor cada uma das idéias contidas neste apelo, que nós mesmos consideramos apenas um primeiro passo na nova via. A todos os representantes da arte, a todos seus amigos e defensores que não podem deixar de compreender a necessidade do presente apelo, pedimos que ergam a voz imediatamente. Endereçamos o mesmo apelo a todas as publicações independentes de esquerda que estão prontas a tomar parte na criação da Federação Internacional e no exame de suas tarefas e métodos de ação.
16) Quando um primeiro contato internacional tiver sido estabelecido pela imprensa e pela correspondência, procederemos à organização de modestos congressos locais e nacionais. Na etapa seguinte deverá reunir-se um congresso mundial que consagrará oficialmente a fundação da Federação Internacional.
O que queremos:
a independência da arte - para a revolução
a revolução - para a liberação definitiva da arte.


Cidade do México, 25 de julho de 1938

quinta-feira, 3 de maio de 2012


Primeiro Práçarau Ambulante.



No dia 28 de abril, sábado último, realizamos no Studio Ébano, o primeiro Prá,çarau Ambulante, uma parceria entre o Prá,çarau e o Sarau Ambulante.
O Studio Ébano, foi-nos cedido gentilmente por Junior Jota Erry e Mônica Mendes, que nos receberam carinhosamente em sua casa, pois o espaço é como se fora a sala de estar que todos nós gostaríamos de ter, além do espaço aconchegante possuí um acervo musical inestimável e muito bem conservado. Com um singelo e belo jardim.
Alem de toda estrutura para ensaios de bandas e músicos em geral, tendo também a possibilidade de gravação de seu CD.
Os convidados foram chegando aos poucos, começamos após o horário combinado, devido a chuva e a correria de todos que tem muitas outras atividades.
Iniciamos com apresentações de vídeos de apresentações diversas da Banda Raízes de Javé e de um sarau realizado recentemente pelo JR no Valo Velho, em homenagem as Mulheres.
Tivemos as presenças de nossos já parceiros de saraus, Adriano Soares, com suas poesias e sua maneira peculiar de expor suas opiniões, Paulo Sem Vulgo – que já passou a ter um – mais uma vez nos apresentou os meninos do Conselho, grupo formado por meninos que fazem um rap bem bacana e com letras conscientes. Numa oficina administrada pelo próprio Paulo, estas atividades são desenvolvidas as segundas-feiras no CITA – Centro de Investigação Trupe Artemanha.
O Artemanha como sempre parceiros fortes no nosso projeto Prá,çarau, também esteve presente, representado por Dessa Souza e Izaur Marcos, muito obrigado pela presença!
Dessa nos presenteou com sua voz única, cantando como sempre e encantando, fez sua estréia em saraus lendo uma poesia, não se conteve e uma parte ela cantou, parabéns pela estréia e ficamos honrados por ter sido no nosso sarau.
Izaur também fez uma apresentação de um poema, adaptado do texto de Serginho Poeta, que nos encantou e nos deixou presos em sua bela interpretação.
Nossas Prá,çaretes, que na verdade são as meninas do Sarau Ambulante, Taís Lopes, Thaíná Lopes, Adryana Duarte, Valéria Docta, Jady Thais e Gaby.
Elas encantam e deixam o Prá,çarau mais bonito e animando. Taís começou a apresentação do CCA Macedônia, falando dos projetos e da participação no TEIA do Embu, que foi desde sexta e finalizado ontem, inclusive estivemos presentes na apresentação do Grupo Candearte, com o Boi Bumbá. Cortejo bonito pela praça de alimentação do centro da cidade, onde as Prá,çaretes participaram juntamente com o grupo.
Entre as apresentações fizemos leituras de texto, de nossos parceiros, Zinho Trindade e Luan Luando, seus livros estavam a disposição de todos para a leitura e eu aproveitei e li  “Chuteira” do livro Tarja Preta e “Alicate” do  livro Manda Busca.
Jady Thais trouxe uma pasta com vários poemas seus e leu para os presentes, dois deles, muito bem escritos e cheios de mensagens de otimismo. Menina de futuro e talento nato para a escrita, além da demonstração de sua paixão pela música, pois se aventurou a tocar uma bateria eletrônica, ela estava com fones de ouvido, mas pela sua expressão de felicidade, o som estava bem agradável.
Usando o livro Manda Busca de Luan Luando, como exemplo de que é possível ter seu sonho realizado com a parceria da Agência Solano Trindade, assim elevei o leque de possibilidades para que a jovem autora tenha no futuro, seu livro, sendo vendido na Loja Colaborativa É’dMarca, que foi representada por Gisele e seu filho Davi.
Monica Mendes nos presenteou com um quitute de calabresa e tinha cerveja, água e refrigerante sendo vendidos, á preços camaradas.
Rafael Said, da Banda O Musgo, tocou uma de suas canções, voz e violão, acompanhado pelo Vagner na bateria e falou com um pouco de seu projeto, também tem um estúdio no Jardim Maria Sampaio. Espero poder contar com a banda no próximo sábado.
Beto Silva esteve presente e fez um grafite numa das paredes laterais do estúdio, deixando o local mais colorido, pois já possui quadros espalhados pelo jardim e assim ganhou mais uma obra-prima, desta vez enraizada na parede. Aproveitou e falou um pouco de seus projetos e da parceria que já tem com JR, desde o tempo do Gente Muda, grupo de grafiteiros, que espalhou pela região do Capão Redondo, imagens que nos faz refletir, mesmo sem palavras, apenas a imagem fala por si. E do episódio do Metrô, onde teve seu desenho, censurado pela empresa, o policial em formato de coxinha, foi apagado, de acordo com as informações por causa de um policial que reclamou formalmente. Ficou eternizado o primeiro Prá,çarau Ambulante com este presente de Beto Silva.
Muita coisa aconteceu, teve música, poesia, leitura e bate-papo.
Todos se divertiram e espero que tenham gostado.
Sábado dia 05 tem mais um Prá,çarau Ambulante, levaremos as crianças do CCA Macedônia, com sua contadora de história Quitéria e as crianças do Periferia Ativa.
Bonde do Predinhos, desta vez estará presente.
Os nossos parceiros músicos, poetas e artistas em geral estarão presentes, as Prá,çaretes também estarão e estão desde já todos convidados.
As 17 horas e vamos ficar até umas 22 horas, pois ainda iremos a Virada Cultural.










Muito obrigado!